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O nome vem de uma corrida

Uma corrida mexicana que durou cinco anos, um nome ouvido no paddock de Sebring e um relógio desenhado para ser lido a 200 por hora. A história do Carrera, até o Heritage que está no meu pulso.

7 de novembro de 20266 min

Carrera, em espanhol, quer dizer corrida. Mas o nome do relógio não vem da palavra: vem de uma corrida específica, que atravessava o México de ponta a ponta e foi tão perigosa que durou só cinco edições.

Três mil quilômetros de estrada

A Carrera Panamericana nasceu em 1950 para celebrar a inauguração do trecho mexicano da Rodovia Pan-Americana. A primeira edição ia de Ciudad Juárez, na fronteira com os Estados Unidos, até a fronteira com a Guatemala: cerca de 3.500 quilômetros em vários dias, por estrada aberta. De 1951 em diante, o sentido se inverteu, de sul para norte.

Começou com carros de passeio e, em poucos anos, virou corrida de fábrica. Em 1952, um abutre atravessou o para-brisa da Mercedes de Karl Kling; ele seguiu em frente e venceu. Juan Manuel Fangio venceu em 1953 com uma Lancia D24; Umberto Maglioli, em 1954, com uma Ferrari 375 Plus. A cada ano morriam pilotos, mecânicos e espectadores, mais de duas dezenas no total. Depois do desastre de Le Mans, em 1955, a corrida não voltou.

Um nome ouvido em Sebring

Em 1962, Jack Heuer, bisneto do fundador da marca, estava nas 12 Horas de Sebring, na Flórida. Lá conheceu os pais de Pedro e Ricardo Rodríguez, os irmãos mexicanos que corriam pela Ferrari, e ouviu deles a história da Panamericana.

Gostou do nome. Carrera funcionava em várias línguas: estrada, corrida, percurso, carreira. Registrou a marca e, em 1963, lançou o primeiro Heuer Carrera.

Para ler sem pensar

O Carrera de 1963 foi desenhado para uma coisa: ser lido de relance, por um piloto, com o carro em movimento. Mostrador limpo, ponteiros finos, nada de texto sobrando. A escala de frações de segundo saiu do mostrador e foi para o anel interno que segura o cristal, deixando o centro livre.

Jack Heuer contou que buscou referências fora do relógio, na arquitetura e no desenho moderno: Le Corbusier, Charles e Ray Eames e Oscar Niemeyer. Um relógio suíço de corrida com um pouco de Brasília no traço.

Os primeiros Carreras eram de corda manual. O automático veio em 1969, com o Calibre 11, um dos primeiros cronógrafos automáticos do mundo.

O Heritage de 2011

O meu é de outra época. Em 2011, na feira de Basel, a TAG Heuer apresentou o Carrera Calibre 16 Heritage, ref. CAS2111.FC6292: aço, 41 mm, mostrador prateado com detalhes azuis, pulseira de couro azul e fundo transparente. A ideia era olhar para o desenho dos anos 60 com o tamanho e a robustez de um relógio atual.

Por dentro, o Calibre 16, um cronógrafo automático que tem como base o Valjoux 7750, o motor de cronógrafo mais usado da indústria suíça. 28.800 alternâncias por hora, 25 joias, cerca de 42 horas de reserva. Não é um calibre exclusivo, e não precisa ser: é robusto, fácil de revisar e feito para durar.

O meu

Comprei o meu novo, numa loja oficial na Itália, em janeiro de 2015, com caixa, papéis e uma pulseira extra. Quando revisei a coleção para enxugar, ele ficou na lista dos que não saem.

No pulso, ele aparece mais em dia de trabalho. São 18 usos registrados, 5,9% da rotação, o último em 2 de novembro.

Um relógio com nome de corrida mexicana, desenhado para pilotos, que eu uso quase sempre para trabalhar.

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O que o meu registro diz sobre este relógio
18Usos registrados
5,9%Da rotação total
TrabalhoOcasião principal
Janeiro de 2015Na coleção desde

TAG Heuer Carrera Calibre 16 Heritage, ref. CAS2111.FC6292. Dados do meu registro no Horalog, em outubro de 2026.

Isto sai de um registro de verdade.

O Horalog é o caderno de bordo que produziu todos os números destes artigos. Acesso aberto durante o beta, de graça.